top of page

Retrospectiva - Blog / Site Ecopedagogia



Entrevista com Renato Marchesini


Data: 05/09/2013


Por Luciana Ribeiro


A Caiçara Expedições e o meio ambiente


Observação importante: reportagens sem fotos/resumidas


Renato Marchesini é Bacharel em Turismo, Pós-Graduado em Ecoturismo, Guia Regional, Nacional, da América do Sul e Especializado em Atrativos Naturais pelo Ministério do Turismo, licenciado em Didática e Prática do Ensino Superior. Ele possui, ainda, cursos nas áreas de Administração, Arqueologia, Sobrevivência e Convivência ao ar livre, Ecologia, Manejo de Trilhas, Ecossistemas, Educação Ambiental e outros. Presta serviços em diversas empresas do trade turístico. Dentre as funções que desempenha, destaca-se como: Professor de Turismo, Hotelaria e Meio Ambiente; Palestrante; Elaborador Roteiros; Condução de Grupos e Consultor e Assessor em Projetos Turísticos e Ambientais.


O site“ecopedagogia” foi bem recepcionado pelo defensor da natureza, por isso convido os leitores do canal verde a lerem suas experiências que dignificam o meio ambiente de modo cidadão, responsável e sustentável.Segue a entrevista com ele:



Luciana Ribeiro– Fale sobre a Agência de Viagens e Turismos (Caiçara Expedições Turismo Consciente) que promove o lazer verde e a educação ambiental. Qual o lucro educacional desse trabalho que já é desenvolvido há mais de 15 anos na Região Metropolitana da Baixada Santista, conhecida por Costa da Mata Atlântica (formada pelos municípios de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Bertioga, Cubatão, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe)?


Renato Marchesini: Trabalhamos Eu e Renata Antunes da Cruz (bióloga) conduzindo pessoas e grupos para conhecer as belezas e importância da Mata Atlântica há mais de 15 anos. E com o aumento de nossa demanda e amadurecimento profissional surgiu a necessidade e oportunidade de abrirmos a Caiçara Expedições Turismo Consciente – Agência de Viagens e Turismo.


Luciana Ribeiro- As Universidades e faculdades brasileiras estão preparadas para educar o cidadão que não tem acesso ao ensino formal? É possível citar alguma experiência com tal desafio educador?


Renato Marchesini: Uns dos públicos que focamos é o educacional! Acreditamos muito na importância dos discentes poderem conviver in-loco o ambiente e desta forma proporcionar atividades de estudo e pesquisa do meio. Desta forma conseguem compreender e amarrar o conteúdo de sala de aula com a vivência no campo. Muito mais que levar as pessoas para áreas naturais, propomos possibilidades do vistante perceber que ele faz parte do meio e suas ações e contribuições podem e devem fazer a diferença. E como funcionam estas atividades? Conversado com o professor ou coordenador pedagógico é montado um projeto sob medida para a necessidade de cada instituição de ensino. Ex: Bioma Mata Atlântica, Ecossistema Restinga, Ecossistema Manguezal, Costão Rochoso, Aves, Mamíferos, Anfíbios, Recursos Hídricos, Flora, Comunidades Tradicionais e muitas outras possibilidades.


Luciana Ribeiro- Quais os problemas que mais atingem as áreas verdes da Costa Atlântica, e como tem sido resolvido pelo poder público?


Renato Marchesini: Possuímos aqui grande especulação e pressão sobre nossas florestas e ambiente costeiro, devido grande crescimento regional (econômico e populacional), Isso engloba áreas de ocupação irregular, condomínios de alto padrão e pré-sal. O poder público corre muito atrás do prejuízo, possuímos grandes passivos ambientais ainda não solucionados. Mas já verificamos de alguns órgãos o olhar de planejamento.


Luciana Ribeiro- Você acha que as Unidades de Conservação do Brasil têm cumprido o papel de educar cidadãos para preservarem o meio ambiente? O que falta para elas mobilizarem e implementarem projetos socioambientais com a participação do cidadão brasileiro?


Renato Marchesini: Muitas Ucs em nosso País somente existem no papel, mas não cumprem vossas obrigações e motivo de existência, sendo eles de conservação/preservação (não possuem fiscalização eficaz) o quadro de colaboradores é infinitamente pequeno, mal equipadas e poucas atividades de pesquisa. Quanto a programas de educação ambiental deveriam investir no manejo de trilhas para o uso público e trabalhar mais em parcerias com Agências de Turismo especializadas como de criar mecanismos de visitação e estratégias para a Educação.


Luciana Ribeiro- Como tem sido sua comunicação com o poder público para realizar trabalhos em parcerias com a Agência Caiçara Expedições Turismo Consciente e, de fato, preservarem o verde do Brasil?


Renato Marchesini: Somos ativos e participantes em uma diversidade de Conselhos de Turismo e Unidades de Conservação, participamos também em muitos eventos ligados a temática. Já possuímos com alguns órgãos do poder público parceria no fomento de nossas atividades. Mas estamos sempre procurando novas parcerias.


Luciana Ribeiro- De acordo com sua experiência profissional, o que falta para o poder público sensibilizar o cidadão brasileiro (motoqueiro, dona de casa, analfabeto, médico, etc.)? Pode citar algumas atividades populares voltadas para a educação ambiental?


Renato Marchesini: Acreditamos que através de campanhas e propostas educativas o poder público teria que apostar nas ações locais de envolvimento (gestão participativa). Fazer que o indivíduo e coletivo sinta-se parte do processo de construção de boas práticas e de mínimo impacto. E que neste processo se evidencie a qualidade de vida gerada destas ações.


Luciana Ribeiro-Como ambientalista e amigo da natureza, como você tem abordado o consumo adulto, inclusive, sabendo das dificuldades e barreiras que existem nessa fase de vida, como, por exemplo, o fato de alguns se recusarem a reduzir a quantidade de resíduos sólidos gerados nos lares?


Renato Marchesini: Quando levamos as pessoas para o ambiente natural, e com a leitura do ambiente conseguimos através destas vivências a experiência do participante, que para viver e ser feliz é necessário pouco. E que temos que observar muito mais na vida o que nos cerca e suas relações.


Luciana Ribeiro- Quais são suas expectativas para o futuro do planeta Terra?


Renato Marchesini: As novas gerações já estão muito mais antenadas e preocupadas com a “Mãe Terra”. Porém vale uma grande atenção no quesito populacional. As populações em maneira geral vem tendo seu aumento no mundo e os recursos cada vez mais escassos. Está mais que na hora da sociedade começar a discutir a questão do controle populacional.


Luciana Ribeiro- Para melhorar a comunicação ambiental no Brasil, o órgão Gestor da Educação Ambiental - Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Educação (MEC) - poderia articular projetos socioambientais que propiciam a participação dos cidadãos brasileiros? Você pode sugerir algumas ideias pedagógicas para se realizar essa tarefa educadora?


Renato Marchesini: Órgãos ligados ao meio ambiente deveriam estar mais próximos a órgãos ligados à educação “dentro das instituições de ensino”. Como a Amiga verde Luciana bem propõe a “Ecopedagogia”. Grandes eventos sejam sempre também palco de ações e campanhas educativas ambientais. E que dentro de veículos de mídias possua sempre propostas e dicas ambientais.


Amigo Eco leitor conheça nossas atividades na web: www.caicaraexpedicoes.com e também o Blog Caicara: www.blogcaicara.com


Eco Abraços e Muita Luz.....


Renato Marchesini – Gestor de Projetos Caiçara Expedições Turismo Consciente



Obrigada pela eco-recepção verde e parabéns pelo desafio educador!


Abraço verde!



Resultados da IV Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente - IV CNIJMA"


Data: 27/05/2014


Por Luciana Ribeiro


A importância da escola sustentável e a educação brasileira


Entrevista com José Vicente de Freitas – Coordenador Geral de Educação Ambiental do Ministério da Educação (CGEA – MEC).


Para divulgarmos os resultados da IV Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente, para os educadores brasileiros, com muito mérito, convidamos o coordenador de Educação Ambiental do MEC para dialogarmos sobre a implementação de ações e de projetos que constroem uma escola sustentável no século XXI. Nesse sentido, foi de suma importância socializarmos algumas responsabilidades pedagógicas, que perpassam pelos princípios da cidadania ambiental, mencionada pela Lei nº 9.795 que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) no Brasil. Segue a entrevista:


Luciana Ribeiro- O tema “Vamos cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis” foi escolhido para ressaltar a importância da sustentabilidade para as escolas brasileiras. Segundo a coordenação da educação ambiental do Mistério da Educação (MEC), quais foram os parâmetros estabelecidos para abordar os projetos educativos que viabilizam a qualidade de vida para os cidadãos brasileiros, como, por exemplo, o que fazer para combater o mosquito da dengue, o que fazer para aprender a selecionar os resíduos sólidos e outros relevantes para construir as políticas públicas voltadas para a preservação ambiental no Brasil?


José Vicente de Freitas: Qualquer um dos problemas apontados no final da pergunta, mosquito da dengue e tratamento de resíduos sólidos, podem e devem ser enfrentados por meio do desencadeamento de processos educativos permanentes, continuados e articulados que envolvam a comunidade escolar como um todo na discussão sobre estas e outras situações-problemas presentes no território onde a escola está inserida. O processo educativo é capaz de gerar novas habilidades, atitudes e comportamentos que viabilizem ao indivíduo se relacionar com o mundo a partir de outros referenciais. Cada um de nós, ao nos transformamos, por decorrência, também transformamos o mundo. Assim, os problemas e mazelas que ainda vivenciamos como sociedade podem sim ser enfrentados e superados a partir de processos educativos que sejam capazes de desenvolver a nossa capacidade de compreensão e de nos inspirar à intervenção e ao exercício do protagonismo.


A nossa proposta para a IV Conferência Nacional Infanto juvenil pelo Meio Ambiente, realizada em 2013, foi feita a partir da chamada “Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis” uma vez que acreditamos na possibilidade de promoção da cultura da sustentabilidade na e a partir da escola. No contexto da IV CNIJMA, os parâmetros inicialmente propostos para as escolas desenvolverem os seus projetos de sustentabilidade apontavam para três dimensões: - a dimensão do espaço físico, que refere-se a adequação dos espaços físicos das escolas aos padrões de ecoeficiência; - a dimensão da gestão, que diz respeito a adoção de processos participativos na gestão escolar; -e a dimensão do currículo, que significa a inclusão da pauta socioambiental na proposta político-pedagógica das escolas.


No entanto, para além desses parâmetros inicialmente propostos, as escolas deveriam considerar outras variáveis que entendessem pertinentes a partir das condições que as particularizam, assim como deveriam acolher nos seus projetos, a leitura das suas respectivas comunidades sobre os caminhos, as possibilidades, as perspectivas e os limites na concepção e implementação dos projetos.


Luciana Ribeiro – Avalie a construção de políticas públicas e a participação da comunidade escolar (diretor, coordenador pedagógico,professor, aluno, família, funcionários no geral ) durante a IV Conferência Nacional do Meio Ambiente Infanto Juvenil ocorrida no Brasil?


José Vicente de Freitas: Esta quarta edição da Conferência foi a que efetivamente alcançou maior escala, pois contou com a participação de quase vinte mil escolas. Um dos critérios para se viabilizar a participação da escola nesse processo, foi a constituição da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida), colegiado formado por alunos, profissionais da educação e comunidade do entorno, que assume a tarefa de animar e mobilizar os atores para o processo da Conferência, além de responsabilizar-se pela construção coletiva de respostas para o enfrentamento dos problemas socioambientais existentes na escola e no lugar onde ela está inserida. Por meio da atuação das Com-Vidas no contexto da IV CNIJMA, e mesmo por outras formas de envolvimento de pais de alunos, parentes e amigos, acompanhamos uma participação ativa da comunidade em todo território nacional. Os relatórios Pós-Conferência elaborados pelos Estados, os vídeos e fotografias nos dão a dimensão da participação da comunidade nesse processo. Aos leitores interessados em construir uma percepção mais ampla desse envolvimento comunitário, é possível visitar nossa página no Flickr, que disponibiliza um conjunto significativo de registros imagéticos produzidos, em todo o território nacional, na etapa escolar da CNIJMA (https://www.flickr.com/photos/ivcnijma/), ou acessando documentários locais/regionais, como o que foi editado pelo Núcleo de Educação Ambiental da 23ª Gerência Regional de Educação do Estado de Santa Catarina e disponibilizado no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=VwaXVH6RPKA).


Em termos de construção de políticas públicas de educação ambiental, a nossa tarefa é gigantesca, pois a Lei 9.795/99 (Política Nacional de Educação Ambiental) define como responsabilidade do MEC o desenvolvimento de processos de educação ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino, que representa uma escala com números impressionantes. A Coordenação-Geral de Educação Ambiental vem cumprindo esta tarefa com ações de formação continuada de educação ambiental para profissionais da educação, fomentando a participação e o envolvimento de jovens, por meio do apoio às ações dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente, com a produção de material didático-pedagógico, no apoio a eventos e com estratégias de mobilização em larga escala, como é o caso da própria Conferência. Nosso esforço, nesse momento, diz respeito à institucionalização do “Programa Nacional Escolas Sustentáveis”, por meio do qual buscamos a consolidação de uma política pública estruturante de educação ambiental de curto, médio e longo prazos, ação esta que prevê fluxos permanentes de financiamento, pactuação com os sistemas estaduais e municipais de ensino, ampliação do investimento na formação continuada dos profissionais da educação, assim como o fomento à formação inicial, entre outras iniciativas.


Luciana Ribeiro – Sabe-se das dificuldades que existem para implementar a sustentabilidade nas escolas brasileiras. Assim, quais as propostas pedagógicas que estão sendo viabilizadas para ensinar ao educador e ao educando as questões que envolvem os problemas das cidades locais?


José Vicente de Freitas: A educação ambiental no Brasil, no âmbito do ensino formal, é trabalhada tradicionalmente como tema transversal, concretizada por meio de diferentes estratégias. A EA, no entanto, é mais um entre tantos outros temas transversais que a escola tem que dar conta. Penso que algumas iniciativas deverão colaborar para que as escolas consolidem ações no campo da sustentabilidade. Uma forma de indução importante está relacionada à observância das escolas a um novo regramento aprovado em 2012, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental - DCNEA. Esse documento indica as premissas e parâmetros para o trabalho em torno deste tema. E uma Diretriz Curricular tem força de lei. Outro aspecto importante e que já vem estimulando o desenvolvimento de ações, diz respeito ao repasse de recursos para as escolas com o fim específico de auxiliar na concepção e implementação dos seus projetos de “Escolas Sustentáveis”, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola. E por último, a institucionalização do “Programa Nacional Escolas Sustentáveis”, em fase validação, também deverá contribuir para que as escolas desenvolvam suas vivências pedagógicas cotidianas no campo da sustentabilidade.


Luciana Ribeiro – Poderia avaliar o perfil das escolas brasileiras e o que elas têm feito para reeducar a criança, o jovem e o adulto com relação aos assuntos voltados para a sustentabilidade brasileira?


José Vicente de Freitas: Considerando somente o sistema do ensino básico, contamos com aproximadamente 200 mil escolas no país. As experiências pedagógicas no campo da sustentabilidade vêm se constituindo das mais variadas formas. Na pesquisa intitulada “o que fazem as escolas que dizem que fazem educação ambiental”, realizada pelo MEC e publicada em 2007, é revelador o dado que aponta para o fato de que 90% das escolas que responderam ao questionário proposto, disseram que realizam “algum tipo de atividade” no campo da educação ambiental, com predominância para o trabalho com temas relacionados à reciclagem/resíduos. O nosso esforço, entretanto, é que as ações nessa área não sejam realizadas de forma pontual, por oportunidades, ou por ações motivadas pela comemoração/registro de uma data específica, como o “dia da árvore”, ou o dia do “meio ambiente”, mas que as escolas possam conceber e desencadear processos educativos que sejam permanentes, articulados e combinados, como forma de gerar espaços que sejam capazes de formar e proporcionar ao aluno o desenvolvimento da sua consciência socioambiental e, ao mesmo tempo, estimulá-lo ao protagonismo, à participação, ao exercício da cidadania.


Luciana Ribeiro- A sustentabilidade deve ser abordada de modo transversal nos cursos de Pedagogia ministrados no Brasil. Dessa forma, o que foi, de fato, acordado durante a IV Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente?


José Vicente de Freitas: Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, no ensino superior, onde se inclui os cursos de pedagogia, os conhecimentos concernentes à Educação Ambiental nos currículos podem ocorrer pela transversalidade, mas também como conteúdo dos componentes já constantes do currículo, ou pela combinação de transversalidade e de tratamento nos componentes curriculares. Não obstante, admite-se, para a educação superior, outras formas de inserção da EA, inclusive como disciplina. E esta é uma decisão que, autonomamente, cabe a IES. No âmbito da IV CNIJMA, trabalhamos com o que dita os dispositivos presentes das DCNEA, ou seja, as três possibilidades acima mencionadas para o ensino superior e, para a educação básica, como não está contemplada a possibilidade de criação de disciplina, consideramos tão somente o trabalho da educação ambiental pela transversalidade, mediante temas relacionados com o meio ambiente e a sustentabilidade socioambiental, e como conteúdo dos componentes já presentes no currículo.


Luciana Ribeiro- Como a coordenação de educação ambiental do Ministério da Educação tem articulado, divulgado, e promovido as ações socioambientais que destacam o pedagogo e sua atuação em prol do meio ambiente, como, por exemplo, o que fazer para comunicar a importância da natureza por meio do Projeto Político Pedagógico (P.P.P) de cada escola brasileira?


José Vicente de Freitas: Este trabalho vem ocorrendo pela indução no reforço das ideias amalgamadas no texto das DCNEA, que aponta o compromisso da instituição educacional, o papel socioeducativo e ambiental como componentes integrantes dos projetos institucionais e pedagógicos da educação básica. Nesse sentido, nas nossas iniciativas, projetos e programas, estimulamos que todo o educador e educadora do ensino formal atue no contexto de um Projeto Político-Pedagógico que contemple a promoção dos valores de cooperação, de relações solidárias e de respeito ao meio ambiente.


Agora, se faz necessário dizer que na indução que buscamos promover, consideramos e respeitamos a autonomia da escola no seu fazer pedagógico, na forma de viver e experienciar as propostas contidas no seu respectivo PPP.


Luciana Ribeiro – Poderia citar alguns referenciais educativos que sirvam para ajudar o professor e o futuro pedagogo a trabalharem (livros, vídeos, documentários em geral) em prol de uma escola sustentável no Brasil?


José Vicente de Freitas: Abaixo, segue indicações de materiais impressos e de um vídeo que produzimos e distribuímos às todas as escolas do país que trabalham com o segundo ciclo do ensino fundamental, na forma de kit de material didático-pedagógico, para apoiar o trabalho educativo sobre o tema das escolas sustentáveis. Todos esses materiais estão disponíveis na web e podem ser acessados no seguinte endereço:


http://conferenciainfanto.mec.gov.br/index.php/Uncategorised/74-publicacoes

. Livro: Formando Com-Vida, Construindo Agenda 21 na Escola.

. Livro: Mudanças Ambientais Globais: Pensar + Agir na Escola e na Comunidade ( 4 volumes: Terra, Fogo, Água e Ar).

. Livro: Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis (Educando-nos para Pensar e Agir em Tempos de Mudanças Socioambientais Globais).

. Vídeo: Com-Vídeo (Documentário sobre as Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas).


Luciana Ribeiro- Quais os cursos de formação continuada, oferecidos pelo Ministério da Educação, e que, de fato, podem melhorar a qualidade da educação brasileira, ou seja, o que tem sido planejado para ensinar conteúdos mais significativos, os quais possam ser dialogados com mais criticidade pelos educadores e pelos educandos?


José Vicente de Freitas: Os cursos no nível de aperfeiçoamento e especialização, na modalidade à distância, são ofertados por meio da Universidade Aberta do Brasil – UAB, e na modalidade presencial e semipresencial pela Rede Nacional de Formação Continuada de Professores do Magistério da Educação Básica – RENAFOR. São inúmeros os cursos que se enquadram nos termos desta pergunta, mas naturalmente vou indicar os 04 cursos de formação continuada oferecidos no campo da educação ambiental, em diferentes níveis, que são os seguintes: 1) Educação Ambiental com ênfase em Espaços Educadores Sustentáveis (Especialização); 2) Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e Com-Vida (Extensão); 3) Educação Ambiental: Dimensões da Sustentabilidade na Escola (Extensão); e 4) Educação Ambiental (Aperfeiçoamento). São cursos que oferecem aos profissionais da educação aportes importantes para discutir com criticidade não somente a promoção da cultura da sustentabilidade na escola, mas igualmente a promoção de valores, a inclusão e a diversidade. E hoje, a oferta da formação continuada obedece ao seguinte fluxo: as escolas apresentam por meio do PDE Interativo a demanda de formação para as Secretarias Municipais e Estaduais de Educação que as validam e encaminham ao Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente. O Fórum elabora o Plano Estratégico de Formação Docente e o encaminha ao Comitê Gestor da Rede Nacional de Formação (MEC), responsável pela sua aprovação e apoio financeiro.


Luciana Ribeiro – De que forma o PDDE Escola Sustentável foi e está sendo divulgado para as educadores brasileiros terem acesso aos recursos financeiros para desenvolver seus projetos socioambientais e beneficiar as escolas e suas cidades locais?


José Vicente de Freitas: O PDDE – Escolas Sustentáveis foi disponibilizado pela primeira vez em 2013. Para acessar os recursos disponíveis naquela oportunidade, as escolas realizaram o cadastro institucional no período de vigência da chamada pública e apresentaram os seus respectivos projetos de intervenção. A segunda edição, prevista para 2014, está atrelada a participação na IV CNIJMA, ou seja, as escolas que se envolveram no processo estão automaticamente aptas a captar o recurso. Entretanto, mesmo tendo realizado a Conferência, essas escolas terão que realizar o cadastro no sistema, em período ainda a ser definido, pois depende da finalização do processo de repaginação da plataforma de cadastro, em execução pelo nosso setor de desenvolvimento de tecnologia da informação.


Via de regra, quando abrimos uma nova chamada do PDDE, lançamos uma campanha de divulgação juntos aos sistemas municipais e estaduais de ensino. Uma maneira dos educadores estarem atualizados quanto as nossas chamadas públicas para destinação de recursos às escolas, é visitando com regularidade o site do MEC, onde todas as ações referentes às políticas públicas educacionais são disponibilizadas.


Luciana Ribeiro- De acordo com suas experiências realizadas no Brasil, por meio da educação ambiental, o que falta para termos um Brasil sustentável, ou seja, o que falta para termos cidadãos mais conscientes e protetores da natureza? Poderia citar algumas sugestões educativas a serem trabalhadas com a missão de reeducar olhares humanos para a preservação do planeta?


José Vicente de Freitas: Não tenho dúvida de que precisamos radicalizar quanto à ampliação dos espaços para viabilizar a formação não somente do aluno inserido no ensino formal, mas de todo o cidadão e cidadã, oportunizando-os ao desenvolvimento dos valores e atitudes que sejam capazes de fazer emergir um modelo civilizatório alicerçado na sustentabilidade de todas as dimensões da vida. E a construção dessa nova forma de ser e estar no mundo depende essencialmente de uma mudança em nós para que possa se concretizar numa mudança no mundo. A vontade política é igualmente importante, e significa uma pactuação coletiva como o caminho mais rápido para a construção de uma sociedade de direitos, ambientalmente justa e sustentável.


Luciana Ribeiro – Poderia deixar um recado especial para os educadores brasileiros?


José Vicente de Freitas: Uma das referências que tenho no campo da educação é um sujeito muito interessante chamado Martin Bubber. E gostaria de lançar mão de uma das suas ideias para deixar como uma inspiração para os educadores(as) brasileiros. Para ele, o processo educativo se concretiza na relação do Eu-Tu. Tratando e argumentando sobre esta questão, num determinado momento ele vai definir como um princípio a noção de que “toda vida verdadeira é encontro”.

Contatos para cursos/seminários/oficinas do DF: citar os principais.


Para falar com a Coordenação-Geral de Educação Ambiental do Ministério da Educação:


Telefone: (61) 20229192 / 20229197

E-mail: ea@mec.gov.br


Obrigada pela colaboração educadora que enobrece a preservação do meio ambiente.


Fonte: www.ecopedagogia.blogspot.com/Jornal Meio Ambiente http://www.portaldomeioambiente.org.br/

 
 
 

Comments


bottom of page